Inovação
Cultura de Inovação

A inovação como resposta a momentos de crise

Momentos excepcionais, de profunda ruptura ou de crise — no caso atual, todas essas alternativas anteriores — geram uma instabilidade que é terreno fértil para a inovação. Afinal, mesmo diante de tantas incertezas, uma certeza é inabalável: seu cliente já não é o mesmo. Se parar para pensar, desde que a quarentena se tornou uma realidade, é provável que você tenha adotado algum novo hábito ou deixado outros para trás. Talvez até tenha repensado prioridades e revisto a forma como se relaciona com pessoas, produtos e serviços. Seu cliente, como você, adotou novos hábitos, o que, em uma reação em cadeia, resulta em transformações profundas em todo o mercado onde você atua.

A inovação como resposta a momentos de crise não é algo novo. Essa relação direta já se mostrou presente em outros momentos da história.

Uma peste que transformou o mundo

A Peste Bubônica, considerada a maior pandemia da história da humanidade, dizimou, segundo estimativas, mais de um terço da população européia no século XIV. A doença, transmitida por pulgas que se hospedavam em ratos, catalisou mudanças em uma série de processos e de comportamentos que, em momentos de calmaria, provavelmente levaria muito mais tempo para acontecer.

Por causa da enfermidade, o saneamento básico passou a ser realidade em uma Europa onde, até então, princípios primários de higienes individual e coletiva eram desconhecidos. Além disso, ela alterou o comportamento das pessoas e, com isso, os tabuleiros político, religioso e cultural da Europa: a falta de emprego precipitou a troca do campo pela cidade, a Igreja perdeu credibilidade por não conseguir deter a doença simultaneamente à ascensão de cientistas, que ganhavam espaço na tentativa de encontrar respostas para o que estava acontecendo. Artistas, por sua vez, passaram a expressar a nova realidade em suas artes. Uma doença. Uma crise. E um mundo em transformação. Era o começo do fim da Idade Média.

Já no século XX, a Primeira Guerra Mundial (1914/1918) estimulou o pesquisador Alexander Fleming a estudar formas de curar as feridas infectadas dos soldados que tinham ido ao combate. Em 1928, descobriu a penicilina, o primeiro antibiótico usado na medicina. As crises surgem de problemas de grande impacto e por isso as soluções que as resolvem ou minimizam acabam se tornando uma inovação.

Neste exato momento, um mundo novo está em gestação

Enquanto você lê este texto, um mundo novo está em construção. Estar atento aos movimentos, aos novos hábitos e às dinâmicas das relações torna-se, portanto, iniciativa ainda mais relevante. Neste contexto, o Design pode ser um importante aliado, na medida em que se propõe a investigar cenários complexos e propor soluções condizentes com a realidade marcada por tamanha instabilidade.

Surge, então, uma pergunta: como é possível acompanhar tantas mudanças em um ritmo tão acelerado e, ainda por cima, em um contexto de crise mundial? Utilizando perspectivas multidisciplinares para olhar com profundidade e pluralidade a complexidade das coisas. E, claro, colocando o seu cliente no centro da resolução do problema. São os novos hábitos dele que precisam ser desvendados, descobrindo as motivações que estão por trás de cada mudança, as dificuldades de interação que ele enfrenta neste novo mundo (e também com seu serviço) e os novos contextos e desafios que se erguem para ele.

Só assim é possível lançar olhares mais humanos para os problemas e, com isso, projetar soluções que façam sentido agora, inclusive (e sobretudo) em momentos de crise como este que experimentamos.

 

Inovação em situações adversas

Foi o que aconteceu em um projeto desenvolvido pela Livework, em 2005, em Sunderland, cidade do nordeste da Inglaterra que precisava reduzir sua taxa de desemprego. Depois de tentar diferentes soluções com vários órgãos isolados, o governo não sabia mais o que fazer para reduzir o alto índice de pessoas sem emprego, em um cenário que apenas 5 mil dos 37 mil desempregados do local buscavam ativamente uma recolocação. Usando a abordagem do Design de Serviço e atendendo à solicitação de entidades do governo local, a equipe da Livework fez uma imersão para entender as peculiaridades da região. O desafio era enorme. Afinal, era necessário orquestrar diversos órgãos (como os de Trabalho, Habitação, Educação, Tratamento de Dependências) que, separadamente, não conseguiriam encontrar uma solução para o problema.

A experiência de nossa equipe foi usada, então, para unir essas diferentes visões e conhecimentos para redesenhar a jornada do desempregado no seu retorno ao mercado de trabalho e, com isso, dar novos contornos a uma situação nada favorável. Para mais detalhes sobre esse projeto, clique aqui e aqui.

É fato: questionar se o seu serviço, hoje, agrega valor para seu cliente é fundamental para a perenidade do negócio. E, em momentos de crise, essa premissa se torna ainda mais importante.

Desta forma, saber se seu serviço ainda é útil e interessante para quem o usa, em cada etapa da jornada, deve ocupar um papel de protagonismo na estratégia de sua empresa. Mapear os pontos de contato (ou seriam pontos sem contato?) e as dificuldades enfrentadas em cada um deles para projetar serviços que continuem relevantes é uma forma de dar respostas mais assertivas em um ambiente a princípio inóspito mas que, em um olhar mais cuidadoso, está cheio de oportunidades. Navegar no caos é preciso.