O Net Promoter Score (NPS), ao lado de Customer Effort Score (CES) e Customer Satisfaction Score (CSAT), tem se consolidado como uma das principais métricas para medir a satisfação dos clientes nos últimos anos. Com uma pergunta direta e objetiva — “de 0 a 10, qual a chance de você recomendar nossa empresa?” —, muitas organizações adotaram o NPS como indicador central de desempenho em experiência do cliente ou usuário.
E o NPS tem muito valor, especialmente para avaliar a qualidade da jornada do cliente. Porém, ao mesmo tempo, possui limitações importantes. Ele é um termômetro: mostra a temperatura, mas não explica as causas de um serviço ser amplamente recomendado ou rejeitado.
Um NPS baixo sinaliza que algo não vai bem na relação da empresa com os clientes, mas não aponta sozinho o quê. Também não ficam claras – somente a partir desta métrica – quais mudanças precisam ser feitas para o serviço ser mais recomendado. Por isso, enxergamos o NPS como parte de uma estratégia mais ampla para impulsionar resultados, não como solução isolada.
O impacto de um NPS baixo
Quando uma empresa apresenta NPS baixo, os efeitos negativos se tornam rapidamente visíveis. Clientes insatisfeitos não apenas deixam de comprar, mas muitas vezes compartilham suas experiências negativas em redes sociais ou canais públicos de reviews. Isso cria um efeito multiplicador: os detratores influenciam potenciais consumidores a não interagir com a marca, prejudicando a receita e corroendo a reputação. Em mercados cada vez mais competitivos, esse movimento pode comprometer a capacidade de crescimento e diferenciação.
Mas um NPS baixo é apenas o sintoma de algo mais profundo. O problema pode estar na qualidade do produto ou serviço, no atendimento, nos processos internos, na comunicação ou até mesmo em expectativas mal geridas ou desalinhadas – especialmente por falta de comunicação adequada. Sem essa clareza, corre-se o risco de atacar apenas a superfície do desafio, mudando a “nota” sem, de fato, transformar a experiência.
Por isso, reconhecer as raízes do problema é tão importante quanto medir o NPS. É preciso investigar os pontos de frustração do cliente, entender em que momentos da jornada a experiência se rompe e mapear como as áreas internas da organização contribuem (ou não) para gerar valor. Essa análise aprofundada ajuda a revelar não só os gargalos, mas também oportunidades de melhoria que muitas vezes ficam invisíveis no dia a dia da operação.
Com esse diagnóstico em mãos, a empresa deixa de reagir apenas a números e passa a enxergar caminhos reais de evolução. É nesse momento que a inovação ganha relevância: quando está orientada por um entendimento claro do cliente e de suas necessidades.
O papel da inovação tecnológica
A tecnologia pode ser uma alavanca poderosa para transformar a experiência do cliente. Plataformas digitais, inteligência artificial, personalização em escala, automação e análise de dados, por exemplo, oferecem recursos para redesenhar jornadas, reduzir atritos e entregar mais valor.
No entanto, a tecnologia por si só também não resolve nada. Já vimos muitas empresas que investem pesado em ferramentas, mas sem clareza de qual é o problema real do cliente – e o que estão tentando solucionar. E, como consequência deste contexto completamente desalinhado, o resultado é uma maior complexidade interna, sem melhorias a serem desenvolvidas e percebidas.
Inovar de verdade exige colocar o cliente no centro e usar a tecnologia como meio – não como fim.
Soluções de Design de Serviço para melhorar o NPS
Aplicar metodologias de Design de Serviço é imprescindível para entender a fundo a jornada do cliente, identificar pontos de frustração e criar soluções que façam sentido para ele. Em vez de lançar grandes mudanças sem validação, os processos abarcam prototipagem, testes rápidos e aprendizado contínuo.
O olhar do Design de Serviço permite que as empresas experimentem antes de escalar, reduzindo riscos e garantindo que a inovação seja percebida pelo cliente como algo positivo. É essa conexão entre diagnóstico, desenho e implementação que transforma um NPS baixo em oportunidade de crescimento.
Não é incomum que, quando um cliente nos procura para resolver algum tipo de problema, a raiz em si esteja em algo mais amplo do que uma área específica apenas, como inicialmente se costuma acreditar . São justamente as ferramentas de pesquisa qualitativa do Design de Serviço que possibilitam uma análise mais detalhada e precisa sobre cada situação.
Quando atendemos a Liberty Seguros, por exemplo, com o desafio de mapear a usabilidade do serviço de seguro automotivo, a marca se utilizava do NPS para medir a qualidade do que era entregue. Porém, ao decidir por acompanhar a experiência do cliente como um todo, reconhecendo o que realmente acontecia nas interações, levando em consideração impressões, dores e expectativas da base de usuários, a Liberty ganhou um novo olhar sobre o negócio.
Um olhar além do NPS
O NPS é relevante – mas isolado funciona apenas como um termômetro: mostra um nível de recomendação, mas não explica os porquês. Para torná-lo estratégico, é essencial conectá-lo a ações concretas que elevem a experiência do cliente como um todo. E este foco na experiência traz resultados.
No artigo Focusing on existing customers to unlock growth, de 2023, o consultor Harald Fanderl, da McKinsey, destacou que empresas focadas na experiência do cliente observam que clientes satisfeitos têm de 20% a 30 % mais chance de permanecer com a marca. Além disso, essas empresas podem alcançar até o dobro de crescimento de receita em comparação com aquelas que não investem nesse eixo
Ou seja, o NPS por si só não basta. Métricas só têm valor quando fazem parte de um sistema claro de melhoria contínua – focado na jornada e que inclua diagnóstico refinado, inovação tecnológica e design centrado no cliente. Esses elementos permitem transformar dados em alavancas estratégicas capazes de gerar impacto real.
Na Livework, encaramos um NPS baixo como um sinal de alerta – um convite para repensar, inovar e evoluir. É nesse movimento – integrando dados, tecnologia e design centrado nas pessoas – que geramos soluções capazes de gerar satisfação genuína, fidelização e resultados duradouros.