O que vem à sua mente quando falamos de satisfação dos clientes? Talvez você pense em pesquisas de NPS, jornadas mapeadas ou equipes dedicadas ao CX. Esses elementos são importantes, mas sozinhos não explicam por que, mesmo com tanto investimento em experiência, muitos clientes ainda se sentem frustrados.
Na verdade, satisfação é o reflexo de toda a jornada de experiência que o cliente vive com um determinado serviço. E essa experiência vai muito além do atendimento ou de um bom canal de suporte. Ela começa na promessa da marca e só se realiza quando há coerência entre o que se comunica e o que se entrega.
Para alcançar esse nível de consistência, é preciso repensar a experiência como um todo: de fora para dentro, ouvindo o que os clientes realmente valorizam e, a partir disso, redesenhar estratégia, processos, cultura e operação.
O que é satisfação dos clientes e por que ela importa?
A satisfação é um resultado da experiência que os clientes têm ao se relacionar com uma empresa. Essa experiência é moldada por vários fatores: a clareza da proposta de valor; a coerência entre canais; a usabilidade dos serviços; a qualidade do produto; o suporte disponível; e até o comportamento dos colaboradores na linha de frente.
Em outras palavras: a satisfação dos clientes nasce da soma de interações bem orquestradas. E por que tudo isso importa?
Segundo o Zendesk Benchmark, três em cada quatro consumidores estão dispostos a gastar mais com empresas que oferecem uma boa experiência. E o inverso também é verdadeiro: mais da metade dos clientes abandonam uma marca após uma única experiência ruim. Quando as interações negativas se repetem, 73% dos clientes desistem do serviço.
Para nós, a satisfação dos clientes é uma consequência, não uma promessa. Ela depende de múltiplos fatores, inclusive da forma como cada organização implementa e sustenta aquilo que foi projetado.
O objetivo principal é criar as condições certas para que os clientes se sintam satisfeitos. Isso depende da estruturação de serviços e experiências coerentes, relevantes e consistentes ao longo do tempo.
Para tanto, é preciso de um olhar sistêmico, capaz de ir além de iniciativas pontuais ou tentativas isoladas de encantamento. Envolve alinhar estratégia, cultura e operação para que a entrega de valor aconteça e também seja percebida.
Diagnóstico: como entender o problema do cliente
Antes de pensar em soluções, é preciso entender qual é o problema real. Muitas vezes, as organizações partem para ações de melhoria baseadas em suposições internas, não nas percepções e necessidades dos clientes.
É aqui que o trabalho de diagnóstico profundo entra em jogo, com técnicas como shadowing e entrevistas em profundidade, para para captar percepções e necessidades reais da empresa e do cliente.
Como observa Adriana Oppenheim, nossa Head de Customer Excellence, é comum que as empresas planejem experiências novas para seus clientes, com a melhor das intenções, mas desconectadas dos anseios reais do consumidor.
Um exemplo emblemático foi um projeto que realizamos com a LATAM Airlines, que buscava redesenhar a experiência de sua classe executiva. A percepção interna era de que o principal valor para o passageiro estava na oferta de luxo: refeições sofisticadas, bebidas premium, atendimento requintado. Mas, ao conversar com os clientes, a descoberta foi outra.
“O que eles mais valorizavam era a possibilidade de descansar bem durante o voo. A prioridade era chegar com disposição para a reunião do dia seguinte, não tanto a qualidade das refeições ou do atendimento de bordo”, esclarece Adriana.
Essa nova perspectiva teve um impacto direto na proposta de valor e nas decisões de projeto. Em vez de focar apenas em elementos de luxo, a companhia passou a repensar protocolos e serviços para priorizar o conforto, a tranquilidade e a qualidade do sono dos passageiros.
Essa é a essência do diagnóstico: enxergar além dos sintomas, mergulhar nas motivações de quem usa o serviço e ajustar o foco com base nos dados coletados.
Como transformar aprendizados em uma estratégia centrada no cliente?
Com o diagnóstico em mãos, o próximo passo é transformar insights das investigações em direções estratégicas. O desafio, aqui, não é apenas propor melhorias pontuais, mas estruturar uma visão sistêmica da experiência, capaz de orientar decisões e soluções, além de sustentar transformações reais.
Na prática, isso envolve entender o que é mais relevante para diferentes perfis de usuários, traduzir atributos desejáveis (como transparência, agilidade ou confiança) em direcionadores de serviço e encontrar caminhos viáveis para que tudo isso se realize.
Para isso, a área de Customer Excellence recorre a pesquisas, ferramentas de cocriação com times internos, representações visuais da experiência ideal, entre outros. Esses insumos ajudam a conectar pontos entre canais, áreas e processos, sempre com o olhar voltado para o valor percebido pelo cliente.
Cada projeto e cada organização exigem uma abordagem própria. Por isso, mais do que seguir uma fórmula ou trilha específica, focamos em construir estratégias sob medida, que respeitem a cultura interna, os objetivos do negócio e as expectativas de quem usa o serviço.
Satisfação dos clientes e dos colaboradores: qual a conexão?
Um elemento que faz toda a diferença na satisfação dos clientes tem relação com os colaboradores que estão na linha de frente, operando os serviços. Não dá para falar de excelência sem considerá-los. Por isso, a experiência do colaborador, ou employee experience, é parte indissociável dessa equação.
Para a líder de Customer Excellence, “experiência do colaborador e do cliente são duas faces da mesma moeda”. Não adianta criar jornadas impecáveis no papel se os times não têm clareza, autonomia ou preparo para sustentá-las no dia a dia.
Por isso, parte do trabalho está em envolver essas pessoas desde o diagnóstico até a implementação: escutando suas dores, mapeando os impactos da mudança e capacitando para novas formas de agir.
Projetar a experiência do cliente é, também, projetar as condições para que ela aconteça. E isso exige uma transformação mais profunda ainda, que toca cultura organizacional, liderança, sistemas e rituais de trabalho. Afinal, só se constrói uma experiência consistente quando há coerência e engajamento dentro da empresa.
Não existe fórmula mágica; no fim das contas, a satisfação dos clientes costuma nascer de algo simples e profundamente humano — escuta genuína, empatia e coerência entre discurso e prática. Esse é o tipo de transformação que faz sentido.
Sobre a Livework
Somos a consultoria pioneira em Design de Serviço no mundo. Atuamos para transformar experiências de forma estruturada, ajudando organizações a entregar mais valor para seus clientes e mais coerência para seus times.
Com presença global e mais de duas décadas de atuação, combinamos visão estratégica, metodologias práticas e foco em impacto para redesenhar serviços que funcionam — de verdade — para quem usa e para quem entrega.
Tem 20 anos de experiência global liderando projetos de inovação digital, design de serviço, UX e pesquisa estratégica para clientes como Vivo, BID, Dasa, Telefonica, SulAmérica Seguros, Roche, Siemens, T-Mobile, Nokia e Latam no Brasil, Espanha, Reino Unido e Finlândia. Na Livework, lidera times de design e desenvolvimento de negócios, e adora derrubar barreiras entre os mundos de estratégia, tecnologia e design.