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Vidas pretas importam: silêncio não é uma opção

Nesse momento, há vozes muito mais importantes que a nossa para serem ouvidas, mas silêncio não é uma opção.

Reconhecendo a verdade

Nós reconhecemos que vivemos em uma sociedade carregada de racismo estrutural.

Como Angela Davis coloca: “Em uma sociedade racista, não basta não ser racista. É necessário ser anti-racista”. Precisamos trabalhar ativamente no sistema para fazer correções nas áreas em que temos poder e influência continuamente.

Reconhecemos a natureza arraigadas dessas questões. Não podemos perder de vista a dor e a injustiça. Se quisermos aprender e crescer genuinamente, precisamos criar espaços seguros para que esses assuntos sejam discutidos.

O Design pode fazer mais

Os assassinatos de George Floyd, João Pedro* e tantos outros, nos mostram que o racismo não acontece só por parte de indivíduos, mas está ligado a nossos sistemas e instituições. Consequentemente, está incorporado aos serviços que estes fornecem. Podemos ver isso no sistema judiciário, no comportamento da polícia, e na desigualdade visível no setor de saúde público. As taxas de infecções e mortes de pessoas pretas por Covid-19 são desproporcionais. O mesmo acontece no setor de serviços, de educação e muitos outros.

Todos devemos ampliar a compreensão do racismo estrutural em nossa sociedade, bem como nas organizações com as quais trabalhamos e em nossa própria empresa. Devemos nos esforçar para trazer esse entendimento para o nosso trabalho. E incorporar a experiência, as ideias, o conhecimento e a criatividade de pessoas pretas nesse trabalho. Precisamos refletir sobre nossas próprias práticas e a natureza das comunidades das quais fazemos parte, para poder desafiar e corrigir esses vieses e assumir nosso papel como defensores ativos da equidade através de nosso trabalho.

“Nós (podemos) usar o design para imaginar e construir os mundos em que queremos viver – mundos mais seguros, mais justos e mais sustentáveis”. Design Justice Network

Como designers, precisamos trabalhar mais para incorporar essa consciência em nosso trabalho. Precisamos desafiar os sistemas, processos, procedimentos e práticas dos serviços que projetamos. Quando afirmamos que o nosso trabalho é centrado no ser humano, também precisamos incluir essas questões.

O posicionamento da Livework

Como empresa, devemos fazer mais em nossa organização. Responderemos a esse desafio na maneira como lideramos, contratamos e promovemos, bem como em nossos comportamentos e relacionamentos.

Como uma consultoria de design, devemos influenciar no setor em que fazemos parte e trabalhar junto da comunidade nas conferências e redes de pessoas, fazendo nossa parte para reeducar o sistema.

Cada estúdio deve se tornar mais conectado às comunidades em que trabalhamos e em que vivemos, para apoiá-las com oportunidades que, de outra forma, não existiriam.

Como fundador da Livework, estou assumindo a responsabilidade por nossas ações.

Estamos todos ouvindo, advogando, compartilhando recursos, protestando e doando, cada um de acordo com sua capacidade.

Estamos melhorando nossa abordagem de recrutamento para remover ativamente quaisquer preconceitos e garantir uma maior diversidade em nosso local de trabalho. Analisaremos todas as nossas políticas e estruturas internas para ver o que é relevante e precisa ser alterado.

Em nossa prática, examinaremos continuamente nosso trabalho de pesquisa, engajamento e design para garantir que vozes marginalizadas sejam representadas e questões de justiça e igualdade sejam identificadas e abordadas nos serviços para os quais estamos projetando.

Acima de tudo, estamos comprometidos com o longo prazo. As injustiças de hoje não foram construídas rapidamente e não serão desmanteladas sem trabalho contínuo e consistente.

Ben Reason: Fundador da Livework, 2020.

*acréscimo da equipe Livework São Paulo.