De vender tintas a paredes pintadas

Explorando um novo modelo de negócios para servir seus clientes em vez de vender produtos industrializados.

Participando do ecossistema com uma oferta de serviço

Se alguma vez você já precisou de um pintor, deve saber o quanto esse mercado é informal e como o sentimento de desorganização está presente do começo ao fim da experiência. É comum ouvirmos relatos de pessoas traumatizadas com pintores que contrataram para uma reforma. A fim de encontrar bons pintores, normalmente dependemos de nossos círculos familiares e de amigos. E quando não encontramos indicação, resta contratar um desconhecido e torcer para que a mão de obra seja qualificada, acessível e respeite os prazos combinados.

Quando a Suvinil procurou a Livework para pensar em como poderia participar do ecossistema com uma oferta de serviço que ajudasse seus clientes a terem suas paredes pintadas, mergulhamos em um ecossistema complexo e cheio de incentivos cruzados. Para a Suvinil, vender as tintas diretamente aos seus clientes por meio de um serviço poderia levar as lojas, suas principais parceiras, a não quererem mais vender seus produtos. Ao mesmo tempo, contratar pintores diretamente não era uma opção interessante para uma organização essencialmente industrial e com a escala da Suvinil. Então como oferecer um serviço relevante, garantindo a qualidade da pintura e no atendimento, e fortalecendo a relação com as lojas?

A semente para um piloto

Para encontrar uma resposta a essa pergunta, nossa equipe mergulhou no contexto do desafio, conversando com diferentes perfis de clientes, pintores e lojistas. Nosso objetivo inicial foi entender o ponto de vista de cada um destes atores, o que valorizam e como poderiam se beneficiar de uma nova oferta neste ecossistema. Ao mesmo tempo, envolvemos pessoas de diferentes áreas da Suvinil, de marketing a jurídico, para entender as implicações de possíveis modelos de negócio.

Após algumas dinâmicas e um trabalho realizado a muitas mãos, chegamos a um modelo de plataforma de relacionamento com pintores, uma estrutura de capacitação para assegurar a qualidade desses pintores e um modelo de parceria com lojas de tintas. O resultado desse trabalho foi lançado recentemente sob o nome de Vitrine Suvinil.

Projetando serviços para ecossistemas

O serviço projetado funciona basicamente como um serviço de busca que facilita que clientes encontrem um pintor que se encaixe no perfil que buscam. Além de facilitar o contato entre clientes e pintores, a Suvinil faz com que estes últimos sejam constantemente capacitados por meio de cursos e treinamentos que oferece, assegurando a qualidade do serviço. Todos os pintores recebem avaliações de seus clientes sobre seu desempenho e, com essas informações à disposição, novos clientes se sentem mais seguros em seu processo de tomada de decisão.

A solução capacita e gera demanda para pintores, facilita o acesso de clientes a pintores qualificados e aumenta a demanda de tintas para lojas e para a própria Suvinil. Ganha-ganha-ganha-ganha. Tudo isso muito antes da chegada de algumas soluções comuns atualmente, como as plataformas de serviço, como o Uber ou o iFood. Olhando em retrospectiva, nos referimos a este projeto na Livework como o Uber dos pintores.

Refletindo sobre o próprio negócio

Olhar para um negócio baseado na venda de bens de consumo, compreendendo que o valor desses bens está nos serviços que prestam aos seus clientes, deu à Suvinil a capacidade de analisar o negócio sob um novo ângulo, com foco na melhoria da experiência de seus clientes. Afinal de contas, as pessoas querem paredes pintadas e casas decoradas, não tintas em latas, pintores e acessórios.

Assim como a Suvinil, muitas outras empresas, tanto focadas em bens quanto em serviços, estão se utilizando do Design de Serviço para inovar e repensar a maneira que entregam valor para seus clientes.

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